segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Há coisas que não se escrevem

Há coisas que não se escrevem, sentem-se. Apertam-se bem no coração para não mais sairem. São quentinhas e sabem bem. 
Há coisas que não se escrevem, saboreiam-se. De todas as maneiras e feitios e sempre com um gostinho a Quero Mais. 
Há coisas que não se escrevem, sonham-se. De olhos abertos e fechados. Intensamente.
Há coisas tão bonitas que acontecem em nós que se forem escritas perdem todo o significado. Um amontoado de letras incapaz de descever o que diz o coração, a pele, a nossa alma toda. 
Assim, sentimos, saboreamos, sonhamos e essencialmente agradecemos ao destino, à vida, a um ser superior, a algo em que acreditamos, por ter escrito na nossa vida sentimentos impossíveis de reescrever.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Amor... Fortalece!

É durante a infância que a nossa personalidade vai sendo estruturada por isso tudo o que acontece durante esta fase vai moldar a nossa maneira de ser em adultos. Podemos dizer que a infância é a fase mais importante na vida de uma pessoa! É claro que vamos sofrendo modificações ao longo do tempo, mas as bases que construímos na infância estão sempre presentes durante toda a nossa vida.
O Amor que recebemos é uma peça fundamental para que sejamos adultos capazes de enfrentar e lidar melhor com as adversidades da vida. Podemos não ter tantos brinquedos como gostaríamos, não poder comer aquele gelado de chocolate que andamos a pedir há tanto tempo aos pais, a playstation que o amigo da escola tem ou o jogo de computador mais falado do momento. Isso vai-nos fazer ficar tristes sim, vai-nos fazer perceber que na vida nem sempre podemos ter tudo o que queremos e vamos sentir-nos injustiçados porque a maioria dos nossos amigos têm e nós não. Mas se tivermos Amor, atenção, carinho, afecto para compensar tudo o que de "material" não temos vamos-nos sentir bem com a criança que somos, vamos-nos sentir amados. Vamos desenvolvendo a nossa auto-estima com o Amor que as pessoas de quem gostamos nos dão. E não há nada que pague o facto e nos sentirmos amados. O Amor é o alicerce em que vamos construindo a nossa "casa". Quanto mais amor recebermos mais fortes somos, mais amor próprio temos, mais suporte possuímos para nos reerguer depois de uma queda.
Estou a falar de abraços, beijos e carícias sim, mas também e principalmente de dedicar tempo às crianças, de brincar com elas, de ser parte integrante e indissociável da vida dos filhos. Estou a falar de não ter medo de dizer "Não" quando deve ser dito. Não tenham medo de dizer "Não" porque se não disserem quando eles ainda são crianças, a vida vai dizer-lhes não muitas vezes e eles não vão estar preparados para lidar com isso porque sempre ouviram apenas o "Sim". Dar Amor é dizer não quando deve ser! Isso mostra preocupação, atenção, carinho. Demonstra que existe alguém que olha por eles, que os obriga a dar a volta ao "Não" enquanto ainda têm os pais para os ajudar. E sabemos todos como é difícil ultrapassar os "Não's" da vida, mesmo quando ele nos é dito todos os dias... não é verdade? Pois é. Mas desde o nosso primeiro "Não" que estamos a tentar lidar com ele. E até estamos a conseguir, pouco a pouco :) Quanto mais cedo nos apercebermos que ele existe, melhor conseguimos lidar com ele. Muitas vezes os pais pensam que protegem os filhos se conseguirem proporcionar-lhes tudo aquilo que eles querem. Eles ficam contentes, mas será que ficam protegidos? Pensem só pra vocês.. a vida permite que tenhamos tudo aquilo que queremos? Infelizmente todos sabemos que não é possível ter tudo o que queremos. Os vossos filhos também se vão aperceber disso. A frustração vai ser muito maior se estiverem habituados a ter tudo e depois, em adultos, quando as preocupações começarem a surgir, se derem conta de que afinal... já não podem ter tudo o que querem. Os pais nada poderão fazer contra isso, porque não podem mais do que a vida, e sofrem todos. 
As bases da nossa vida adulta estão na infância e é uma grande responsabilidade educar uma criança, mas é também um prazer enorme observarem e sentirem nos vossos filhos todo o Amor que lhes deram.
Olhar para eles e vê-los em adultos cheios de Amor dentro de si é o sinal mais evidente de que foram amados! :)

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O Sentido da Ilusão

Foi intenso,
Foi especial
Tudo o que eu precisava
Tudo o que eu queria
E que tão rápido chegou ao final.

Iludi-me sem pensar
Entregando-me a viver
O que podia, quis dar
E dei, sem tantas vezes receber

Foi verdadeiro,
Químico mas não só...
No meu peito criei um laço
E as saudades que de ti sentia
Chegavam a  fazer crescer um nó...

Quis muito que resultasse,
Mais do que devia,
Quase que foi amor
Mas no meu peito senti tanta dor
Que só queria sentir que te esquecia

Não sei se já te esqueci
Ou se afaguei o sentimento em mim
Aprendi que ás vezes na vida
Para que a dor fique esquecida
Temos de recalcar o sentimento assim.




A Liberdade de Amar

"Durante toda a minha vida, entendi o amor como uma espécie de escravidão consentida. É mentira: a liberdade só existe quando ele está presente. Quem se entrega totalmente, quem se sente livre, ama o máximo.
E quem ama o máximo, sente-se livre.
Por causa disso, apesar de tudo que posso viver, fazer, descobrir, nada tem sentido. Espero que este tempo passe rápido, para que eu possa voltar à busca de mim mesma - encontrando um homem que me entenda, que não me faça sofrer.
Já me senti ferida quando perdi os homens pelos quais me apaixonei. Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém.
Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem a possuir."


Paulo Coelho
"Onze Minutos" 

Acredito mesmo que amar alguém é sinónimo de liberdade. As emoções que o amor nos proporciona só as conseguimos sentir porque somos livres. Realmente livres para amar, para sentir, para viver o que de bom o amor tem para nos proporcionar. 
Não podemos dizer que fiquemos presos ao sentimento quando estamos realmente a gostar de o sentir. Se gostamos.. não é prisão, é satisfação. A prisão vem quando passamos a viver em função do sentimento, quando deixamos de ter a capacidade de decidir o que realmente queremos e só conseguimos pensar no que a pessoa amada quer. A prisão é quando perdemos a nossa identidade pessoal. Quando deixamos de viver para nós e passamos a viver para o outro. As pessoas confundem isso com o amor. Quando a relação não dá certo, culpam o amor.. Mas isso não é culpa dele, não é causado pelo amor... Quando nos damos mais ao outro e não ficamos com nada para nós podemos ter falhas na nossa auto-estima. Não nos amamos suficientemente para aceitar o amor com a leveza que é suposto ele ter. Temos tanta necessidade de ser amados que fazemos tudo e qualquer coisa por isso... até mesmo anular a pessoa que somos. 
Precisamos amarmos-nos mais para que isto não aconteça, para amarmos o outro com liberdade, porque o amor é livre e existe para nos tornar livres também. Existe algo mais bonito e mais libertador do que amar alguém? Sentir alegria, satisfação, paz de espírito... 
Acreditar que podemos até voar "só" porque amamos. 
Todos conhecemos estas sensações, porque todos algum dia já amámos e porque todos algum dia vamos amar.
O amor é bonito porque é livre. É amor quando nos faz ser ainda mais nós próprios, fazer o que gostamos, o que queremos, o que nos faz feliz e não o que o outro queria que fizessemos.
O amor é libertador... Vivam isso de forma saudável, sem nunca deixarem de ser quem são.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Virar a página...

Ás vezes não temos outra alternativa a não ser apagar as pessoas da nossa vida, como se nunca tivessem entrado. Encerrar o capítulo e passar à próxima página. 
Se há pessoas que conseguem fazer isto tão facilmente... porque é tão difícil para outras? Porque nos apegamos às pessoas e criamos laços tão fortes que não conseguimos desprender? Mesmo lidando com a rejeição, com a indiferença, com o despreendimento aparente. Mesmo sabendo que do outro lado, as pessoas não correspondem às nossas expectativas. Mesmo tendo plena consciência de que o melhor que podemos fazer é afastarmos-nos. Mesmo assim... Porque é tão complicado limpar a memória? Esquecer o cheiro, a cor da pele, o toque, as expressões, as conversas, o riso? Porquê? 
Parece fácil de ser respondido. Talvez um simples "porque gostamos das pessoas" chegue. Mas não... não chega, pois não? Precisamos de mais. Precisamos de saber o que nos prende a uma pessoa desta forma para que seja tão difícil arrancá-la de nós. 
A nossa memória não vai deixar que nos esqueçamos das pessoas - e ainda bem... - mas a dor da perda vai passando, aos poucos. Não precisamos de esquecer nem de fazer de conta que não aconteceu nada. Nós sabemos que aconteceu e fingir não vai mudar nada o que sentimos, muito pelo contrário. Não precisamos de apagar, de retirar de nós o que foi bom para que a dor passe, embora a vontade inicial seja essa e nunca outra. Queremos mesmo arrancar de nós todos os momentos bons para que seja mais fácil deixar ir... Se não houver nada de bom para lembrar, é mais fácil esquecer. Pois. Mas os momentos bons iremos recordar para sempre. Culpa da nossa memória e saudável que assim seja. Aos poucos vamos aprendendo a lidar com a perda e ao recordar já não dói mais, já não angustia, já não cria ansiedade no nosso peito.
O que fica então? Fica sempre uma lição, um amontoado de momentos bons e menos bons, uma lembrança suave... uma dor que já passou. Uma ferida que sarou.
É um longo caminho, mas é crucial atravessá-lo. Permitam-se sangrar. Só depois de ir ao fundo, conseguimos dar um salto até às estrelas.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Suicídio e Culpa

O suicídio é sempre um tema sensível de ser abordado. Aliás, todos os temas que envolvam morte o são. Apesar de ser a coisa mais certa que temos na vida, ainda existe muita relutância em pensar e falar sobre este tema. Eu penso que será assim para sempre. Não temos educação para a morte porque são raras as pessoas que a encaram como natural. E encarar como natural não é pensar "pois... tem de ser assim. É a vida". Não. Não basta pensar assim, é necessário agir em consonância. Esta é, sem dúvida, a parte mais complicada, não é? Agir como se a morte fosse natural. Ela dói, faz-nos sangrar, faz-nos até querer morrer juntamente com aqueles que morrem e nos são tão queridos. É difícil aceitar que aquela pessoa não vai estar mais ao nosso lado. Difícil consciencializar que já vivemos tudo o que tínhamos para viver com aquela pessoa. 
Para além de todos estes sentimentos de tristeza e angústia, a morte por suicídio traz consigo também, na grande maioria dos casos, o sentimento de culpa. 
Perguntas como "porque não notei que ele não estava bem?", "eu devia ter sentido a tristeza que ele tinha..." , "se eu tivesse estado mais presente isto não tinha acontecido". Estas questões são muito comuns e é necessário ter noção de que elas só levam a pessoa para um caminho de amargura e de sentimentos negativos que são prejudiciais. 
Nós não sabemos, nunca sabemos como se sente realmente uma pessoa. Por muito próxima que seja de nós e por muito que a conheçamos "melhor do que ninguém". E até conhecemos. Mas existe sempre o "eu" e o "tu", que separa aquilo que sentimos daquilo que o outro sente. Por muito empáticos que sejamos. 
A pessoa está mesmo ao nosso lado e agora ela sorri, brinca connosco, solta umas gargalhadas e aparentemente está tudo ajustado. Por dentro, pode estar um caos e isso não transparecer absolutamente nada... a nós, que estamos mesmo ali ao lado. Ninguém consegue ser o outro, entrar no outro, ver o outro como se fosse... o outro. Ninguém. Porque ninguém é o outro. Por muita empatia, amizade, relação. E é bom ter consciência disto para tentar evitar culpas... Culpa de não ter visto, sentido, percepcionado. Não há falhas quando fazemos o melhor que podemos e quando vamos até onde nos é permitido ir. Somos apenas humanos, como todos os outros. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A Ironia da Vida e as Decisões

Ao longo da vida somos confrontados com muitos momentos irónicos. Parece que a vida se ri de nós, troça das nossas dores. Dá-nos a sensação de que, por algum motivo ainda desconhecido, nos quer fazer ver algo... Porém, no momento a única coisa que conseguimos realmente ver é uma situação irónica, ridicula e injusta, que foge ao nosso controlo e ainda assim somos obrigados a ter de a controlar. Controlamos a ira, a frustração e a dor de pensar que o caminho que seguimos é exactamente o que não deviamos seguir, enquanto que... nos surgem oportunidades de seguir novos caminhos quiçá mais alegres e não estamos minimamente interessados em segui-los. Tendemos sempre para o lado mais dificil ou.. será.. que é a vida que nos apresenta dificuldades atrás de dificuldades? Porque será que em 3 caminhos fáceis, "escolhemos" precisamente o único que é mais dificil? Será que se escolhessemos os outros seriam esses os mais dificeis também? Será que não? Bem, a vida não é feita de "se's" mas sim de realidades. O certo é que não escolhemos absolutamente nada... a vida encarrega-se de nos colocar situações fáceis ou dificeis, sem que tenhamos tempo para perceber o grau de dificuldade. Só entendemos quando já não há "escolha", porque já lá estamos. Tenho a certeza que muita gente compreende o que estou a dizer... isto acontece em várias áreas da vida. Os mais cépticos dirão certamente que escolhemos sempre os caminhos que seguimos. Terão certamente a convicção de que tudo o que fazemos tem consequências e que essas consequências são fruto das escolhas que fizemos. Eu não sou 100% céptica, mas também acredito nisso. Todas as escolhas geram consequências, sejam elas magnificas ou péssimas. No entanto, não tenho a plena convicção de que escolhemos, no verdadeiro sentido da palavra Escolha. Há coisas que não procuramos, não esperamos, não planeamos nem projectamos. Ainda assim... acontecem-nos. Foi uma escolha nossa? Só passa a ser uma escolha nossa quando, após vivenciarmos a situação e a conhecermos na realidade, decidimos (aqui sim.. decidimos!) continuar com ela ou sair. Mesmo assim será sempre uma incógnita e para as pessoas mais indecisas o "se" estará sempre presente, até a pessoa se esquecer totalmente da situação e a vida se for preenchendo com outras vivências. Decidir não é fácil e dependendo da personalidade de cada um pode tornar-se um verdadeiro caos. Capacidade de decisão. Escolher o caminho que devo seguir. Um assunto que dava pano para mangas e que talvez vos fale noutro dia.
Realmente muitas vezes a vida parece estar a gozar connosco.
A solução passa por pensar que temos controlo sobre a nossa vida para decidir o que nos faz bem do que nos faz mal. E temos mesmo! Ninguém tem o poder de decidir isso por nós. Só nos sabemos o que nos faz sorrir e o que nos faz chorar. Só nós sabemos como estamos bem e como estamos mal. Essa decisão é nossa, independentemente do que nos surge na vida. Estarmos bem connosco é a base para conseguirmos sorrir com vontade, qualquer que seja a escolha. Devemos pensar nas vantagens e desvantagens de seguir por um caminho. O coração ajuda-nos a decidir e a cabeça dá-nos ferramentas úteis para racionalizar as nossas emoções. O equilibrio não é fácil, mas é possível.

domingo, 13 de abril de 2014

Diz que hoje é Dia Internacional do... Beijo!


Não podia ter escolhido melhor dia para dar início a este blog. Falar sobre beijos é sempre uma coisa boa, independentemente de ser neste dia ou noutro qualquer. 

Eu sou da opinião que qualquer dia é bom para dar beijinhos. Quem não gosta de receber e dar umas boas beijocas? É um acto de carinho e uma demonstração de afecto para com as pessoas que amamos. Tal como os abraços, as caricias e os miminhos, no geral!
O ser humano precisa de afecto. Uns mais do que outros. Mas todos nós temos a necessidade de nos sentir amados e queridos pelas pessoas que amamos. Desenganem-se os que pensam que só as crianças precisam de colo. Em adultos, continuamos a sentir falta de colo, de abraços, de miminhos e de sentir a proximidade física com os que nos são queridos. Há muitas formas de exteriorizar emoções, uma delas é através do contacto físico.
Um abraço e um beijinho fazem "milagres"! Não há nada como uma boa beijoca para libertar coisas boas no nosso organismo e deixar-nos alegres o dia todo!