quinta-feira, 29 de maio de 2014

O Sentido da Ilusão

Foi intenso,
Foi especial
Tudo o que eu precisava
Tudo o que eu queria
E que tão rápido chegou ao final.

Iludi-me sem pensar
Entregando-me a viver
O que podia, quis dar
E dei, sem tantas vezes receber

Foi verdadeiro,
Químico mas não só...
No meu peito criei um laço
E as saudades que de ti sentia
Chegavam a  fazer crescer um nó...

Quis muito que resultasse,
Mais do que devia,
Quase que foi amor
Mas no meu peito senti tanta dor
Que só queria sentir que te esquecia

Não sei se já te esqueci
Ou se afaguei o sentimento em mim
Aprendi que ás vezes na vida
Para que a dor fique esquecida
Temos de recalcar o sentimento assim.




A Liberdade de Amar

"Durante toda a minha vida, entendi o amor como uma espécie de escravidão consentida. É mentira: a liberdade só existe quando ele está presente. Quem se entrega totalmente, quem se sente livre, ama o máximo.
E quem ama o máximo, sente-se livre.
Por causa disso, apesar de tudo que posso viver, fazer, descobrir, nada tem sentido. Espero que este tempo passe rápido, para que eu possa voltar à busca de mim mesma - encontrando um homem que me entenda, que não me faça sofrer.
Já me senti ferida quando perdi os homens pelos quais me apaixonei. Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém.
Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem a possuir."


Paulo Coelho
"Onze Minutos" 

Acredito mesmo que amar alguém é sinónimo de liberdade. As emoções que o amor nos proporciona só as conseguimos sentir porque somos livres. Realmente livres para amar, para sentir, para viver o que de bom o amor tem para nos proporcionar. 
Não podemos dizer que fiquemos presos ao sentimento quando estamos realmente a gostar de o sentir. Se gostamos.. não é prisão, é satisfação. A prisão vem quando passamos a viver em função do sentimento, quando deixamos de ter a capacidade de decidir o que realmente queremos e só conseguimos pensar no que a pessoa amada quer. A prisão é quando perdemos a nossa identidade pessoal. Quando deixamos de viver para nós e passamos a viver para o outro. As pessoas confundem isso com o amor. Quando a relação não dá certo, culpam o amor.. Mas isso não é culpa dele, não é causado pelo amor... Quando nos damos mais ao outro e não ficamos com nada para nós podemos ter falhas na nossa auto-estima. Não nos amamos suficientemente para aceitar o amor com a leveza que é suposto ele ter. Temos tanta necessidade de ser amados que fazemos tudo e qualquer coisa por isso... até mesmo anular a pessoa que somos. 
Precisamos amarmos-nos mais para que isto não aconteça, para amarmos o outro com liberdade, porque o amor é livre e existe para nos tornar livres também. Existe algo mais bonito e mais libertador do que amar alguém? Sentir alegria, satisfação, paz de espírito... 
Acreditar que podemos até voar "só" porque amamos. 
Todos conhecemos estas sensações, porque todos algum dia já amámos e porque todos algum dia vamos amar.
O amor é bonito porque é livre. É amor quando nos faz ser ainda mais nós próprios, fazer o que gostamos, o que queremos, o que nos faz feliz e não o que o outro queria que fizessemos.
O amor é libertador... Vivam isso de forma saudável, sem nunca deixarem de ser quem são.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Virar a página...

Ás vezes não temos outra alternativa a não ser apagar as pessoas da nossa vida, como se nunca tivessem entrado. Encerrar o capítulo e passar à próxima página. 
Se há pessoas que conseguem fazer isto tão facilmente... porque é tão difícil para outras? Porque nos apegamos às pessoas e criamos laços tão fortes que não conseguimos desprender? Mesmo lidando com a rejeição, com a indiferença, com o despreendimento aparente. Mesmo sabendo que do outro lado, as pessoas não correspondem às nossas expectativas. Mesmo tendo plena consciência de que o melhor que podemos fazer é afastarmos-nos. Mesmo assim... Porque é tão complicado limpar a memória? Esquecer o cheiro, a cor da pele, o toque, as expressões, as conversas, o riso? Porquê? 
Parece fácil de ser respondido. Talvez um simples "porque gostamos das pessoas" chegue. Mas não... não chega, pois não? Precisamos de mais. Precisamos de saber o que nos prende a uma pessoa desta forma para que seja tão difícil arrancá-la de nós. 
A nossa memória não vai deixar que nos esqueçamos das pessoas - e ainda bem... - mas a dor da perda vai passando, aos poucos. Não precisamos de esquecer nem de fazer de conta que não aconteceu nada. Nós sabemos que aconteceu e fingir não vai mudar nada o que sentimos, muito pelo contrário. Não precisamos de apagar, de retirar de nós o que foi bom para que a dor passe, embora a vontade inicial seja essa e nunca outra. Queremos mesmo arrancar de nós todos os momentos bons para que seja mais fácil deixar ir... Se não houver nada de bom para lembrar, é mais fácil esquecer. Pois. Mas os momentos bons iremos recordar para sempre. Culpa da nossa memória e saudável que assim seja. Aos poucos vamos aprendendo a lidar com a perda e ao recordar já não dói mais, já não angustia, já não cria ansiedade no nosso peito.
O que fica então? Fica sempre uma lição, um amontoado de momentos bons e menos bons, uma lembrança suave... uma dor que já passou. Uma ferida que sarou.
É um longo caminho, mas é crucial atravessá-lo. Permitam-se sangrar. Só depois de ir ao fundo, conseguimos dar um salto até às estrelas.