Ás vezes não temos outra alternativa a não ser apagar as pessoas da nossa vida, como se nunca tivessem entrado. Encerrar o capítulo e passar à próxima página.
Se há pessoas que conseguem fazer isto tão facilmente... porque é tão difícil para outras? Porque nos apegamos às pessoas e criamos laços tão fortes que não conseguimos desprender? Mesmo lidando com a rejeição, com a indiferença, com o despreendimento aparente. Mesmo sabendo que do outro lado, as pessoas não correspondem às nossas expectativas. Mesmo tendo plena consciência de que o melhor que podemos fazer é afastarmos-nos. Mesmo assim... Porque é tão complicado limpar a memória? Esquecer o cheiro, a cor da pele, o toque, as expressões, as conversas, o riso? Porquê?
Parece fácil de ser respondido. Talvez um simples "porque gostamos das pessoas" chegue. Mas não... não chega, pois não? Precisamos de mais. Precisamos de saber o que nos prende a uma pessoa desta forma para que seja tão difícil arrancá-la de nós.
A nossa memória não vai deixar que nos esqueçamos das pessoas - e ainda bem... - mas a dor da perda vai passando, aos poucos. Não precisamos de esquecer nem de fazer de conta que não aconteceu nada. Nós sabemos que aconteceu e fingir não vai mudar nada o que sentimos, muito pelo contrário. Não precisamos de apagar, de retirar de nós o que foi bom para que a dor passe, embora a vontade inicial seja essa e nunca outra. Queremos mesmo arrancar de nós todos os momentos bons para que seja mais fácil deixar ir... Se não houver nada de bom para lembrar, é mais fácil esquecer. Pois. Mas os momentos bons iremos recordar para sempre. Culpa da nossa memória e saudável que assim seja. Aos poucos vamos aprendendo a lidar com a perda e ao recordar já não dói mais, já não angustia, já não cria ansiedade no nosso peito.
O que fica então? Fica sempre uma lição, um amontoado de momentos bons e menos bons, uma lembrança suave... uma dor que já passou. Uma ferida que sarou.
É um longo caminho, mas é crucial atravessá-lo. Permitam-se sangrar. Só depois de ir ao fundo, conseguimos dar um salto até às estrelas.